segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A GALERIA DAS ASAS QUEBRADAS




"Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó. E Moisés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus”. (Êxodo,3.6)
Há um velho provérbio anglo-saxônico que diz: "um pássaro com asa quebrada nunca mais voará tão alto". Em outras palavras, uma vez que nós tenhamos caído, jamais conseguiremos nos levantar totalmente como dantes. Uma vez caído, sempre caído. "Afinal, não se pode esperar muito de um pássaro com a asa quebrada".
Como parecem soar sábias as palavras deste trecho agridoce da poesia de Hezekiah Butterworth; pelo menos, até o ponto em que iluminamos com a lanterna poderosa das Escrituras, quando tal sabedoria revela-se inconsistente, espúria e sem lastro bíblico.
Na verdade, se fôssemos dar outro nome adequado à Palavra de Deus, deveríamos chamá-la de "A Galeria das Asas Quebradas" - homens que falharam, caíram - muitos deles fragorosamente, mas que pelas cordas da misericórdia de Deus e de Sua graça incompreensível, foram guindados de seus fracassos às alturas dos grandes heróis da fé. Como é bom pensarmos que o nosso Deus é o Deus de Abraão - que mentiu gritantemente, falseando a verdade, e mesmo depois de ter mentido por duas vezes foi reconhecido como "o amigo de Deus". Com sua "asa quebrada", Abraão voou mais alto do que ele ou qualquer outro havia voado.
Como é bom pensarmos que o nosso Deus é o Deus de Jacó - trapaceiro e enganador - na maioria das vezes sem quaisquer escrúpulos - candidato in extremis a caso perdido. Contudo, não obstante a esse "currículo invejável" Deus o elevou de tal modo que o seu velho nome não pôde conter tanta glória, e de Jacó, passou a chamar-se Israel.
Como é bom pensarmos que o nosso Deus é o Deus de Raabe, a prostituta, mulher da zona de meretrício. Como Deus a usou não obstante a sua baixa reputação! A despeito de suas asas quebradas, Deus a escolheu como um instrumento, não só para salvar a vida de dois de seus corajosos servos, como para trazer o Seu Filho ao mundo. Nunca "asas quebradas" voaram tão alto na graça de Deus.
Como é bom saber que o nosso Deus é o Deus de Davi, que embora Seu servo, aquinhoado com toda sorte de bênçãos, inebriado pelas tépidas ilusões do pecado, entregou-se a flagelante malignidade do adultério e do assassínio. Contudo, suas "asas quebradas" não lhe impediram de ser chamado “o homem segundo o coração de Deus”.
Sim! A Bíblia é a “Galeria das Asas Quebradas" porque o nosso Deus é o Deus que prefere usar pessoas de asas quebradas. Aliás, se Deus não fosse o Deus que usa "os de asas quebradas", nós não estaríamos lendo esse Pão Quente agora.
Todos esses grandes homens e mulheres que se tornaram os grandes heróis da fé, os gigantes dentre o povo de Deus, um dia tiveram as suas asas quebradas pelo deslize, pelo tombo do fracasso e do pecado. Deus os encontrou assim. E os fez voar como nunca antes feito e imaginado.
Quem sabe, no meio dessa conjuntura evangélica em que nós vivemos, onde somos levados por um legalismo exacerbado e farisaico a pensar que não há mais espaço nos planos de Deus para os que caem e deslizam, não estejamos nos sentindo descartados, riscados da agenda divina, deletados de Sua memória, jogados em Sua lixeira cósmica.
Moisés, que um dia esteve assim depois de seus fracassos como libertador, ouviu do Senhor uma palavra maravilhosa que lhe trouxe duas verdades acerca do Deus que ele mesmo desconhecia:
1. Deus é o Deus dos Homens que Fracassam: Quando Deus disse a Moisés que Ele era o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, aparentemente parecia estar listando os nomes dos primeiros superstars da Bíblia - superficial interpretação. Na verdade, o que Deus estava dizendo para Moisés quando cita os patriarcas é que Ele é Deus de Homens que fracassam. Todos eles tiveram as asas quebradas, fracassaram em algum ponto de suas vidas, deram com a cara no lodo da vida. Foram imperfeitos. Mas subiram às alturas porque souberam confiar no Deus que usa os homens, mesmo quando estes fracassam.
2. Deus é o Deus da Segunda Chance: A rigor, todo homem fracassa, mais cedo ou mais tarde.
Uns percebem isso mais cedo, outros mais tarde. Mas quando homens de Deus que um dia fracassaram conseguem galgar a galeria dos grandes heróis da fé é por que o nosso Deus é o Deus da segunda chance, da segunda oportunidade. É o Deus disposto a reescrever a nossa história. Aquele era a chance de Moisés descobrir isso de modo maravilhoso. Eu já tive o meu dia. Talvez hoje seja o seu. Antes de pensar em desistir por causa de asas quebradas, pense nisso.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

ATEÍSMO CRISTÃO,É POSSÍVEL?






O ateísmo ao longo do tempo tem sido um pensamento extremamente desafiador aos conceitos estabelecidos pela Igreja. Durante cerca de quatro séculos, sobretudo após a chamada ciência materialista-positivista do século XVII, que via no mundo e no universo categorias de sucessão espontânea, sem que estas estivessem diretamente ligadas à um Criador, os ateus procuraram demonstrar, quer seja por seus escritos, suas descobertas, ou mesmo por suas convicções pessoais, que Deus não existe. Contra tais pensadores a Igreja lutou e ainda luta no sentido de impedir que seus postulados contaminem os fiéis e os persuada a se distanciarem da fé e dos ensinamentos cristãos.
Pois bem, partindo do princípio de que Ateísmo é negação a toda e qualquer divindade, ou seja, de que o ateu nega tudo o que diz respeito à existência de Deus, vemos nascer em nosso tempo outro tipo de ateísmo: O ateísmo cristão. Este tipo de ateísmo é mais sutilmente destrutivo e corruptível e o que mais permeia as comunidades evangélicas, pois é o novo paradigma do presente século. Se você for sincero perante Deus e a sua Palavra, deixando de lado o cinismo e a arrogância religiosa, tendo a coragem de desfazer-se do farisaísmo comumente manifesto em nossas práticas; haverás de convir que o que tem sido apresentado como evangelho em nosso país e o que o Evangelho de Jesus nos revela são coisas bem distantes.
Certas práticas religiosas em determinados ambientes chamados de igreja evangélica são tão absurdas, incoerentes e insanas que, se tais práticas fossem realizadas em qualquer outro ambiente que não tivesse na frente uma placa de “igreja evangélica” e um camarada sendo chamado de “pastor”, seríamos os primeiros a taxar o grupo de seita herética. Mas como a loucura acontece dentro das igrejas, então dizemos que são apenas “exageros”. A pergunta que nós fazemos todos os dias é a seguinte: Será que Deus não existe? Será que os ateus tinham razão? Será que nós ressuscitamos um deus, que segundo Nietzsche, estava morto e nós o trouxemos de volta, mas agora segundo a nossa imagem e semelhança?
Gostaria que você refletisse sobre isso. Entramos na era do ateísmo cristão, onde se fala muito sobre Deus, mas na prática faz-se coisas como se Ele não existisse.

domingo, 14 de novembro de 2010

JESUS ESTÁ DESAPARECENDO?




O título acima é bem provocativo. Mas é pra provocar mesmo! Provocar a tua mente, reflexão, entendimento e discernimento.
Onde está Jesus? Teria ele virado memória histórica? Teria Ele ficado apenas em nossas lembranças? Teria ele se transformado em um memorial de dia de ceia apenas? Tenho me perguntado todos os dias sobre isso: O que será que deve ter acontecido a Jesus? Você me responderá: Ora, Jesus está em meu coração; está em nosso meio (evangélico); está em nossas canções; em nossos CDs; em nossos discursos; em nossos livros; em nossas teologias, seminários e celebrações ou coisas do gênero.
Bem, dê uma olhada sincera no que a gente entende por vitória neste mundo e vê se Jesus está incluído nisso ou falaria isso. Veja como tratamos os diferentes a nós e pergunte a si mesmo se Jesus trataria do mesmo modo. Veja como Jesus se relacionou com a vida, com as pessoas, com o mundo, com o Pai, e compare a nossa relação com tudo isso. Veja como Jesus orava, onde Ele orava e como Ele orava, e compare com as nossas orações. Veja como Ele lidava com a questão da autoridade até mesmo entre seus discípulos, se em algum momento ele demonstrou soberba, arrogância, domínio, manipulação, exercício do poder, e compare com as nossas práticas ministeriais. Veja se Ele prometeu derrubar César, tomar o Império Romano (afinal, este foi o inimigo de sua época que “roubou” tudo do povo de Israel), destronar Herodes, assumir o controle do Estado, declarando “vitória” sobre aquela opressão; veja se Ele orientou aos seus discípulos para que, onde quer que chegassem a fim de pregar o Evangelho, primeiro dissessem “Olha, chegaram aqui os servos do Deus Altíssimo, com as credenciais celestiais, com a unção do filho de Davi, com o óleo da raiz de Jessé, com a fragância da Rosa de Saron”, ou apenas disse “Ide e pregai dizendo, “É chegado o Reino dos céus”.
Experimente pregar Jesus e os valores do Evangelho e veja quem suporta. Experimente chegar nesses ambientes onde se evoca a unção de Moisés, Abraão, Salomão, Gideão e Cia. e fale sobre a unção de suportar o inimigo, bendizer a quem te maldiz, caminhar mais uma milha, de tomar a cruz, perdoar sempre e tratar ao semelhante como a si mesmo e veja se fica alguém. Olhe pra dentro de você e veja se Jesus não virou apenas um nome mágico, um mantra encantado, um poder a ser acionado, um abracadabra pra vida, um talismã da sorte, um cântico de espiritualidade excitada, ou alguém que se traveste de nossas ilusões e fantasias. Se não, então há uma chance enorme Dele estar de fato presente em nossa vida. Você tem duas opções: Rejeitar estas linhas, ou pensar sério sobre elas. Deus abençoe!