sexta-feira, 8 de julho de 2011

UMA CARTA AO APÓSTOLO PAULO




Amado apóstolo, estou escrevendo para colocá-lo a par da situação do Evangelho que um dia você ajudou a propagar para nós gentios, e que lhe custou a própria vida. 
As coisas estão muito difíceis por aqui. Quase tudo o que você escreveu foi esquecido ou deturpado…
Você foi bastante claro ao despedir-se dos irmãos em Éfeso, alertando que depois de sua partida lobos vorazes penetrariam em meio à igreja, e não poupariam o rebanho . Palavras de fato inspiradas, pois isso se concretiza a cada dia.
Lembra-se que você escreveu ao jovem Timóteo, que o amor ao dinheiro era a “raiz de todos os males”? Quero que saiba que suas palavras foram invertidas, e agora se prega que o dinheiro é a “solução” de todos os males, e tem até um certo "pistoleiro" aqui no Sul dizendo que o dinheiro é a "resposta" pra todas as coisas.
Também é com tristeza que lhe digo que em nossa época ninguém mais quer ser chamado de pastor, missionário ou evangelista, pois isso é por demais humilde: um bom número almeja levar o título de apóstolo. Sei que em seu tempo, os apóstolos eram “fracos… desprezíveis… espetáculo para os homens… loucos… sem morada certa… injuriados… lixo e escória” como o senhor mesmo escreveu . Agora é bem diferente. Trata-se de uma honraria muito grande: acercam-se de serviçais que lhes admiram, quando viajam exigem as melhores hospedarias e são recebidos nos palácios pelos governantes. (e nenhum viaja mais a cavalo hein, alguns nos seus próprios jatinhos particulares).
Eles não costumam pregar seus textos, pois você fala muito da “Graça” e da “liberdade que temos em Cristo”. Isso não soa bem hoje, pois a Igreja voltou à “teologia da retribuição” da Antiga Aliança (só recebe quem merece), e liberdade é a última coisa que os pastores querem pregar à suas ovelhas.
Sem contar que o título de apóstolo já esta ficando obsoleto, pois já apareceu até "Patriarca" lá nas bandas do Norte. 
Você não é bem visto por aqui, pois sempre foi muito humano, sem jamais esconder suas fraquezas: chegou até reconhecer contradições internas, dizendo que não faz o bem que prefere, mas o mal, esse faz. Eles não gostam disso, pois sempre se apresentam inabaláveis e sem espinhos na carne como você. A presença deles é forte, a sua fraca, eles são saudáveis, você sofria de alguma coisa nos olhos, alguns jamais recomendariam a um irmão tomar remédio, como você fez com Timóteo, mas aqui eles oram e "determinam"a cura, coisa que você nunca fez.
Você dizia que por amor de Cristo perdeu “todas as cousas” considerando-as refugo. As coisas mudaram, irmão (alguns até torceriam o nariz por ser chamado de irmão) . Agora cantamos: “Restitui, quero de volta o que é meu!”.
Aqui no Brasil tem uma cidade que recebeu o seu nome, e lá há um "apóstolo" que após as pregações distribui lencinhos e toalhinhas encharcados de suor, e as pessoas levam pra casa, como fizeram em Éfeso, imaginando que afastarão enfermidades. Sim, eu sei que você nunca ordenou isso, nem colocou como doutrina para a igreja nas epístolas, mas sabe como é o povo….
Admiro sua coragem por ter expulsado um “espírito adivinhador” daquela jovem, embora isso tenha lhe custado a prisão e açoites. Você não se deixou enganar só porque ela acertava o prognóstico. Hoje há uma profusão de pitonisas e prognosticadores no meio do povo de Deus, todavia esses espíritos não são mais expulsos, ao contrário, nos reunimos ansiosos para ouvir o que eles têm a dizer para nós.
Gostaria de ter conhecido os irmãos bereanos que você elogiou. Infelizmente, quase não existem mais igrejas como as de Beréia, que recebam a palavra com avidez e examinem as Escrituras “todos os dias para ver se as coisas são de fato assim".
Tem hora que a gente desanima e se sente fragilizado como Timóteo, o seu companheiro de lutas. Mas que coisa bonita foi quando você o reanimou insistindo para que reavivasse “o dom de Deus” que havia nele. Estou lhe confessando isso, pois atualmente 90% dos pregadores oferecem uma “nova unção” para quem fraqueja. Amo esta sua exortação, pois você ensina que dentro de nós já existe o poder do Espírito, dado de uma vez por todas, e não precisamos buscar nada fora ou nada novo!
Nossos cultos não são mais como em sua época, onde a igreja se reunia na casa de um irmão, havia comunhão, orações, e a palavra explanada era o prato principal…. as coisas mudaram: culto agora é “show”, a fumaça não é mais da nuvem gloriosa da presença de Deus, mas daquelas máquinas de fumaça artificial, e a palavra é só para ensinar como "conseguir" mais coisas do céu.
O Espírito lhe revelou que nos últimos tempos alguns apostatariam da fé “por obedecerem a espíritos enganadores”. Essa profecia já está se cumprindo cabalmente, e creio infelizmente que de forma irreversível.
"Amado apóstolo, sinto ter lhe incomodado em seu merecido descanso eternal, mas eu precisava desabafar".
Obs. Este post é apenas uma ilustração, seria impossível enviar uma carta para o apóstolo Paulo, mas tô explicando antes que alguém coloque algum comentário maldoso.
 Em amor, Éverton Canto

quinta-feira, 30 de junho de 2011

A TAREFA DE RECOMEÇAR



“A grandeza humana não está na coragem com que recebemos os infortúnios, nem quando enfrentamos com heroísmo os momentos mais difíceis. A grandeza está na nossa capacidade de prosseguir”.

Esta frase estava escrita num perfil do orkut. Li por 
várias vezes e, depois de analisá-la, não pude concordar 100% com ela. Eu acredito que haja, sim, nobreza humana na coragem e no heroísmo com que enfrentamos as adversidades, mas a frase me fez refletir sobre o quanto é difícil o recomeço para qualquer ser humano, depois de atravessar um momento trágico na vida. 


Mais nobre é aprender a dar a volta por cima e recomeçar! Posso aqui enumerar uma porção de coisas que nos abalariam hoje e que poderiam nos deixar sem forças para recomeçar e prosseguir a caminhada, mas isto nem é necessário, todos sabemos muito bem o que é a dor de uma perda, seja ela qual for, material ou humana.

A perda de um emprego, do imóvel onde moramos, do carro que não conseguimos pagar ou de qualquer outro bem material,até mesmo a perda do poder aquisitivo com direito a inclusão do nome nos órgãos de proteção ao crédito, pode abalar bastante uma família inteira, que encontrará dificuldades para reorganizar a vida depois. 



Já a perda de uma grande amizade, de um amor que não deu certo ou mesmo a morte de alguém com quem convivemos e amamos, nos abalam a ponto de pensarmos que aquilo é motivo mais que suficiente para desistirmos de lutar e de continuarmos a viver. Algumas pessoas desejam até a morte.


Sem dúvida, não é fácil não! Só quem já viveu grandes perdas pode saber como é difícil um recomeço, mas eu garanto que se estão aqui para contar a história, é porque de alguma forma ou de outra enfrentaram e não se entregaram à dor. Se foi com heroísmo ou não, não importa, prosseguiram. 



O que temos que reconhecer é que durante aquele momento de dor extrema, no ápice do sofrimento, Deus estava lá, bem juntinho, ajudando a passar pela luta. Em nenhum momento estivemos sozinhos, podem ter certeza. Por que então o Senhor não estaria conosco no recomeço de tudo? O segredo para um bom recomeço é olhar para o alvo, que é Cristo, e seguir a vida de mãos dadas com ELE.

“Porque eu, o Senhor teu Deus, te tomo pela tua mão direita; e te digo: Não temas, eu te ajudo.” Isaías 41:13

terça-feira, 28 de junho de 2011

VOCÊ JÁ SE PERGUNTOU SE VOCÊ É NORMAL?



Esse é daquele tipo de texto que eu gostaria de ter escrito. Tremendo. Concordo em grau, número e gênero.
Entrevista do professor Hermógenes, 86 anos, sobre uma palavra inventada por ele que me pareceu muito procedente: ele disse que o ser humano está sofrendo de normose, a doença de ser normal.
Essa frase do professor Hermógenes me fez refletir, e pensar no modelo comportamental que nos é ventilado diariamente.
Todo mundo quer se encaixar num padrão. Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar. O sujeito “normal” é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Bebe socialmente, está de bem com a vida, não pode parecer de forma alguma que está passando por algum problema. Quem não se “normaliza”, quem não se encaixa nesses padrões, acaba adoecendo.
A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento. A pergunta a ser feita é: quem espera o quê de nós? Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas?
Eles não existem.
Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha “presença” através de modelos de comportamento amplamente divulgados. Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos. Melhor se preocupar em ser você mesmo.
A normose não é brincadeira.
Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa. Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar? Freqüentar terapeuta para bater papo? Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias.
Um pouco de auto-estima basta. Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim, aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo.
Criaram o seu “normal” e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante. O normal de cada um tem que ser original. Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros. É fraude.
E uma vida fraudulenta faz sofrer demais.
Eu simpatizo cada vez mais com aqueles que lutam para remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera. Para mim são os verdadeiros normais, porque não conseguem colocar máscaras ou simular situações. Se parecem sofrer, é porque estão sofrendo. E se estão sorrindo, é porque a alma lhes é iluminada.
Por isso divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes. “
Aprendamos, pelo amor de Deus, a sermos só o que somos, a sermos como somos, para a glória de Deus e para nossa alegria.